Diagnóstico da dor crônica: como é feito?

médico avaliando exame de imagem para diagnóstico
Identificar a causa de uma dor que persiste por meses é um desafio que exige escuta atenta, exame clínico minucioso e, quando necessário, apoio de exames específicos. O texto explora como o especialista conduz essa investigação, desde a história detalhada do paciente até a diferenciação entre tipos de dor e a escolha criteriosa dos métodos diagnósticos. Também destaca que, mesmo quando os exames não revelam alterações, a dor ainda é legítima e deve ser tratada de forma adequada. Com uma abordagem humana e multidisciplinar, o conteúdo mostra que compreender a dor é o primeiro passo para aliviá-la e recuperar qualidade de vida.
Neste post, você vai saber:

O diagnóstico da dor crônica é um processo detalhado que exige cuidado, investigação e sensibilidade. Como neurologista, sei que muitos pacientes chegam ao consultório depois de meses — às vezes anos — convivendo com dor persistente sem compreender sua origem. Aqui, explico como avaliamos a dor contínua, também chamada de dor persistente ou dor de longa duração, e quais exames podem ser necessários.

Como entendemos a dor crônica

A dor é considerada crônica quando dura mais de três meses, ultrapassando o tempo esperado de recuperação. Antes de qualquer exame físico, começamos tentando compreender a experiência do paciente. Cada pessoa sente dor de forma diferente, e isso influencia diretamente o caminho diagnóstico.

Consulta inicial: a história clínica

A investigação começa com uma conversa detalhada sobre a dor. Esse momento é essencial para identificar padrões e pistas importantes. Costumo dizer que o diagnóstico começa antes dos exames: começa na escuta.

Perguntas mais frequentes durante a avaliação

Durante a consulta, costumo abordar:

– Onde a dor começou e como evoluiu.
– Intensidade, frequência e fatores que pioram ou aliviam o quadro.
– Eventos anteriores, como traumas, infecções ou cirurgias.
– Impacto da dor no sono, humor e atividades cotidianas.
– Histórico familiar de doenças neurológicas ou musculoesqueléticas.

Esses dados ajudam a diferenciar tipos de dor, como dor neuropática (causada por lesões nos nervos), dor nociceptiva (decorrente de inflamação ou lesão tecidual) ou dor nociplástica (alterações na forma como o sistema nervoso processa estímulos).

Exame físico e neurológico

Após a conversa inicial, realizo um exame físico detalhado, que inclui avaliação motora, sensitiva e de reflexos. O objetivo é identificar sinais de alteração neurológica, fraqueza, formigamentos, mudanças de sensibilidade ou encurtamento muscular que possam indicar a origem da dor.

O que o exame pode revelar

– Áreas de dor irradiada, comuns em compressões nervosas.
– Alterações de sensibilidade que sugerem neuropatia.
– Rigidez muscular típica de alguns quadros crônicos.
– Pontos dolorosos que podem indicar síndromes específicas, como fibromialgia.

Exames complementares

Nem todo paciente com dor crônica precisa de exames avançados, mas eles podem ser importantes quando há sinais neurológicos ou suspeita de doenças estruturais. Utilizamos apenas quando necessário.

Principais exames solicitados

– Ressonância magnética para avaliar coluna, nervos e articulações.
– Eletroneuromiografia, que analisa a função dos nervos e músculos.
– Ultrassonografia musculoesquelética para tendões, músculos e articulações.
– Exames laboratoriais, quando pensamos em inflamação, infecção ou doenças autoimunes.

Cada um desses exames contribui para confirmar hipóteses, descartar diagnósticos e direcionar o tratamento mais adequado.

Quando o diagnóstico não é simples

Em alguns casos, a dor crônica não aparece nos exames. Isso é mais comum do que se imagina. Nesses quadros, chamamos de dor de origem funcional ou nociplástica, em que o sistema nervoso passa a interpretar estímulos neutros como dolorosos. Embora não haja lesão visível, a dor é real e precisa de tratamento direcionado.

Importância do diagnóstico multidisciplinar

Frequentemente, o diagnóstico definitivo envolve profissionais de diversas áreas: neurologia, reumatologia, fisioterapia, psicologia e medicina da dor. Essa abordagem integrada aumenta as chances de encontrar a causa — ou pelo menos o melhor caminho para controlar a dor.

Conclusão

O diagnóstico da dor crônica exige cuidado, metodologia e sobretudo respeito à experiência do paciente. Quanto mais cedo investigamos, maiores são as chances de controlar a dor e recuperar qualidade de vida. Se você convive com dor contínua e ainda não passou por uma avaliação completa, marque uma consulta comigo. Seu bem-estar não pode esperar.

O conteúdo deste website tem como objetivo oferecer, em linguagem acessível, orientações aos pacientes sobre coluna vertebral, suas patologias e tratamentos. As informações disponibilizadas não substituem a consulta médica.

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